Suponho que anteontem salvei um pássaro. O meu primeiro olhar da manhã seguiu devagar um gato que atravessava o jardim em diagonal. Ao enxotá-lo ouvi um piado aflitivo e vi Bashô, o protegido, que num salto preciso abocanhava já uma presa de encontro ao solo. E dei pela minha voz em coro com o grito, larga, larga já!, e dei pelas minhas pernas a perseguirem o gato, que não largava, que não largava, que não largava. E o pássaro, bicho negro vestido de melro, gritava também para que eu tivesse a certeza de que ele voava por entre as ervas altas, na boca de um gato. E então o gato ultrapassou num salto o murete do fim do terreno e sentou-se numa pedra. E as minhas pernas pararam e deixei cair os braços do lado de cá do muro, mas a voz ainda disse lar ga... E o gato de costas para o meu pio triste abriu a boca e o melro voou, e desapareceu entre os ramos de uma oliveira.
Um melro com sorte. Tens de ser sua madrinha :)
ResponderEliminarSuspeito que é um que por aqui circula com grande à-vontade quando eu estou a regar. Espero que tenha conseguido sobreviver. Os Zés* são tramados. :)
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