Com medo de pisar indevidamente o dia, e de lhe dar, uma vez mais, um ar magoado, vou reparando na felicidade, com todas as razões que tenho. Está sol e calor. A estrada vazia enche-se de passarinhos atrevidos, que me fazem abrandar a todo o momento. Passo uma vez mais pelo homem que consegue construir sozinho um muro, utilizando apenas uma pequena máquina encavalitada na montanha, e as pedras enormes que lhe vai resgatando. Um trabalho tão notável quanto perigoso, penso, e rezo para que não lhe aconteça nada de mal. À chegada, junto ao atalho que conduz ao cemitério, pasta por entre as oliveiras um cavalo absolutamente branco. Ainda não sei, mas vou auscultar um coração que julgo perdido, e pasmo com as melhoras. Da minha vida sei eu, até à hora da morte.
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