Atalhos de Campo


16.5.19

dust lane*

Afasto-me da aldeia e deixo para trás o som dos sinos que anunciam um funeral. Morreu o florista da terra. O florista não era velho mas estava muito doente, com doenças que se sussurram prolongadamente e soletram na sombra dos dedos em concha. Se eu fosse o florista da terra não entregava os meus créditos em mãos alheias, não ainda, e tinha deixado pronta uma enorme coroa de rosas e espinhos com uma dedicatória agrafada, dirigida a mim em envelope fechado. Era trabalhador e artista. Duvido que alguém conseguisse fazer melhor do que ele. Deixa um cão pequeno e esperto, com uma orelha atenta e outra quebrada como um cravo murcho. Um vadio sem remédio.

2 comentários:

  1. Provavelmente faltou-lhe as forças ou não sabia o dia...

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    1. Ambas as coisas, certamente. Mas se fossem um bocadinho murchas também não fazia mal algum.

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