Sete horas da manhã e estou de pé, para regar o jardim sem nenhuma vontade. Mas depois começo a fazer planos de jardinagem, de voltar ao viveiro como se fosse a uma livraria e pudesse reparar o tempo perdido, as pragas em cadeia, o sol intenso, o vento e o relógio, colocando no carrinho os sete volumes de uma assentada, como fiz certo dia, convencida de que conseguiria plantar sozinha uma enorme floresta. Ainda bem que os livros não morrem, mas têm prazo, e vão murchando no seu silêncio de botão fechado. Que saudades de ter um mês de férias e de deixar em páginas seguidas o perfume da maresia e a peugada dos dedos magros a saber a sal.
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