O homem confessa o erro, a culpa que sente pela morte do cão. Estamos na sua cozinha. A casa é arquitectonicamente admirável. O jardim que a envolve também. O horizonte é a linha do mar e o silêncio. Então ele pega no telefone e mostra-me fotografias do cão que morreu, e diz-me que ele tinha medo de ficar sozinho, que quando estava com ele lhe colocava a cabeça com força sobre o peito. Sinto que o homem precisa que alguém o ouça mais uma vez dizer isto, que alguém também ache intolerável a morte do cão. Quando atravesso o pátio de volta para o carro, as duas cadelas que vacinei levantam as cabeças simpáticas para me seguirem os movimentos até ao portão. Mas o desgosto da perda dramática do outro cão paira ali, por todos os sítios por onde ele passou.
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