31.12.16
29.12.16
Mulheres, e as borboletas em frol
Ao ler este ano, Mulheres, de Charles Bukowski, lembrei-me do meu desconforto quando certa vez abri uma das caixas de sapatos perfuradas onde a minha irmã criava bichos-da-seda. Naquele espaço ínfimo e mal pontilhado de luz, vi dezenas de mariposas entregues ao acasalamento frenético até morrerem esfarrapadas. E eram os mesmos bichos que tinham produzido maviosos casulos em seda.
Seda natural, como se depreende.
Também este ano, numa escrita irrepreensível sem direito a vernáculo, vi surgir um caçador de borboletas. Incansável. Andava o que fosse preciso até as apanhar. Parecendo gostar do jogo, as incautas abriam as asas trementes de provocação, penteavam as longas antenas à sua frente, como se pusessem rímel usando a glossa, fitavam-no destemidas com olhos de grande angular e submetiam-se à polinização do seu olhar ampliado. Mas o caçador de borboletas nada queria saber das suas belas asas, ou sequer das suas vidas. Quando menos esperavam tinham uma alfinetada certeira nas costas, sempre do lado direito, e uma etiqueta para a posteridade.
Ao ler o segundo, lembrei-me do primeiro. Recomendo ambos. A borboletas.
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