Quando chove é mais difícil viver no campo. A lama cola-se primeiro à sola dos sapatos e depois ao chão da entrada, onde um Pollock monocromático foi atirado pela linguagem gestual dos estou-me nas tintas, acelerados sobre as poças do caminho. O mais aconselhável é não voltar a abrir a porta (urinol de vários gatos da vizinhança nesta época do ano), até passar o mau tempo, sobretudo à noite, para não dar de caras com a corrida de lesmas e de caracóis de todos os números a subirem pelas paredes, o que para além do mais é desolador, pelo pouco que resta nas floreiras das ervas aromáticas. Mas há também qualquer coisa estranha que se passa com as pessoas: o homem que vende o gás não cumprimenta os clientes, a mulher por detrás do balcão solta um o que é que quer - ou - para a próxima diga que não quer o arroz, se for comer só as batatas; o jardineiro esquece-se de quem já lhe deu trabalho, na oficina impera o diga lá e o você. Nos dias de sol parece mau, mas então quando chove apetece mesmo entrar na Versailles e pedir um garibaldi, com um suspiro de alívio.
Na Versailles ali em plena Av. da Republica? Que maravilha...para mim um jesuíta!
ResponderEliminar~CC~
B'ora! Ou um abade de priscos. Nunca uma barriga de... Uh, ... :)
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