(...) Mas aquilo que decide o bom sucesso de uma personagem é muitas vezes uma meia frase, um substantivo, um adjectivo que bloqueia o mecanismo psicológico como um parafuso lançado na engrenagem, e que gera um efeito já não de dispositivo bem governado, mas de carne e de sangue, de vida autêntica, e por isso incoerente e imprevisível. No cinema este efeito é dado, creio eu, por uma cintilação no olhar, por um esgar irreflectido, por um gesto inesperado. É o momento em que o esquema psicológico se rompe e o personagem adquire densidade. Elena Ferrante, em entrevista
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