É quase bonito. Terá aproximadamente a minha idade e um belo sorriso. Pela maneira como usa a camisa aberta, mostrando o peito magro, mesmo durante o Inverno, percebe-se que é um sedutor. A mim Jerónimo não seduz. Qualquer coisa nele me diz que devo ter cuidado. Desloca-se a pé e de bicicleta, com uma mochila às costas. Se Jerónimo não associasse a sedução à necessidade de transporte, admito que lhe poderia dar boleia, por uma vez. Mas ele não faz nada, portanto nem sequer precisa de boleia. No Verão abordou-me, quando me preparava para atravessar a rua, para me fazer uma revelação: veja bem, parece que, no mundo inteiro, só há duas pessoas iguais a nós; e eu encontrei uma pessoa igualzinha a si. Sabe onde? Em Espanha. Uma espanhola. Muito simpática. Portanto, Jerónimo conseguiu apanhar boleia de uma das minhas réplicas, e logo uma simpática com ele, algo que nunca fui. Ainda pensei que ele devia reparar melhor, enquanto lhe não desaparecia da vista, no outro passeio. Mas a única coisa que me ocorreu, foi dizer-lhe que agora já só lhe falta encontrar a terceira.
Sem comentários:
Enviar um comentário