O mecânico disse-me em tom carregado, para que não restassem dúvidas: o seu carro está morto. Eu sabia bem disso: as terríveis dores nas costas recordavam-mo a cada momento. O carro estava morto, mas eu gostava muito dele, e ele gostara o suficiente de mim para me salvar a vida. Por incrível coincidência estava nessa altura à venda um exactamente igual, mais velho um ano, mas com muitíssimos mais quilómetros. E o carro morto doou vários órgãos ao carro vivo. Por isso hoje sento-me no mesmo banco e agarro-me ao mesmo volante que me guiou, quase sempre, por bons caminhos.
Oh que espanto...belíssima ideia!
ResponderEliminarUm carro pode ser como uma casa, uma companhia à qual nos habituamos, é mais do que simples matéria, têm um bocadinho de alma.
~CC~
É isso mesmo, CC, iludo-me melhor assim... Ainda hoje, manhã cedo, deu entrada na garagem, para colocar os faróis de nevoeiro do outro.
EliminarObrigada!