Acabei ontem de ler o último romance de Javier Marías, cuja história me impressionou: Berta Isla é a mulher que espera por amor e não só, espera também pela tradição de esperar, o que parece tornar a espera infindável. Mas ao contrário do que se passou durante a Guerra de Tróia, uma ilha do século XX não espera durante mais de uma década o herói do passado, espera antes pelo anti-herói. No fundo esta Penélope inteligente e conservadora, que o tempo tornou lúcida, só espera por ninguém, e, por isso mesmo, é ela a heroína.