Às perguntas impacientes da mãezinha, as irmãs respondiam com muito pormenor, dizendo, em primeiro lugar, que <<parece que não aconteceu absolutamente nada>>, que o príncipe aparecera, que Aglaia o fez esperar muito tempo, uma meia hora; depois apareceu e assim que apareceu propôs logo ao príncipe irem jogar xadrez; que o príncipe não sabia jogar xadrez e Aglaia venceu-o logo; ficou muito alegre e envergonhou horrivelmente o príncipe pela sua inabilidade, riu-se dele, de tal modo que fazia dó olhar para ele. Depois propôs-lhe que jogassem às cartas, ao burro. Mas aqui saiu tudo exactamente ao contrário; o príncipe mostrou-se tão forte a jogar ao burro como... como um professor; jogava como um mestre; Aglaia fazia batota, trocava as cartas, roubava pontos diante do nariz dele, e mesmo assim saía sempre burra: cinco vezes seguidas. Aglaia enfureceu-se horrivelmente, até perdeu por completo as estribeiras; disse ao príncipe palavras tão mordazes e insolentes que ele até parou de rir; (...)
Fiódor Dostoievski / O Idiota