Atalhos de Campo


25.11.18

esquecimento

Havia rosas, sim, tenho a certeza, lírios e rosas. Lírios brancos que dançavam como véus ao sol. Ele trazia peixes de olhos muito brilhantes, flores de sal, carvão, um amigo. Um dia trouxe música. Perguntei-lhe se não gostava de ouvir os passarinhos e ele não voltou a pôr música a tocar no jardim. Mas durante os almoços, já dentro de casa para fugirmos às moscas, durante a conversa solta com risos e vinho muito gelado, quando os peixes saltavam da grelha para se ajeitarem no prato entre a batata nova cozida com a pele muito fina e o tomate rosa muito vermelho, os orégãos e o azeite sublime, ouvíamos música. Como eu gosto disto. Take Five é das melhores músicas de jazz de todos os tempos! E repetimos a música, o milagre dos peixes, a salada, o vinho, o amigo. Tenho de lhe lembrar que deixou cá uma faca enorme. Talvez volte para buscá-la no tempo dos lírios. Dos lírios e das rosas.