Ouvir obrigatoriamente a música dos outros pode ser terrível. Pode até tornar-se uma tortura. Agora que a noite desagua depressa, encolhendo cada um no seu lugar, e que a cerveja se tornou demasiado fria para beber às golfadas a olhar para nada, apercebo-me do silêncio que se adensa cedo em volta do café, nas esquinas, nos bancos de jardim colocados ao longo da calçada, nos palcos da vila enfim, apenas dividido a horas certas pelo som do relógio da torre da igreja. Finalmente hibernou a languidez da flauta de pan que me entrava pelo canto esquerdo da porta como uma cobra sorrateira. Assim morria impiedosamente o meu sossego nas primeiras tardes quentes, às mãos de Habanera de Cuba: por estrangulamento monocórdico. E, à medida que avançava a primavera, o réptil ia aumentando de volume alimentado pela paixão crescente ente Habanera e João Pequeno. Incontrolável como o eco das suas gargalhadas provocantes. [Aparte: hábil como a sua carne de serpente adulta e habituada a entrelaçar-se no corpo da presa.]
(Continua)