Atalhos de Campo


5.5.18

mamma mia...


:) Smilenska!

14 comentários:

  1. Mamma mia, querida Teresa, que bela surpresa! :)

    Um abraço apertadinho, carregadinho de saudades :)

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    1. Ah, Ah, Ah! Com que então um abraço (apertadinho) e carregadinho de saudades! Bem me parecia que era dirigido à minha hilariante pessoa, por isso tenho por a patroa amordaçada na casa de banho há dois dias, ah, ah! Estou à solta, queridinha! Menina Smila ou lá o que é que se auto-inflige, eu bem que a topo nessa sua figureta sentadinha de velhota, mas depois, isso sim, a menina baila na escrita, é cada baile que dá, cada passo de mambo, cada pirueta, que fica tudo a assistir, a modos que paralisado e a olhar para a triste folha em branco, ou então amarfanhada no caixote do lixo! E agora deu em snobe, empertigou-se e baniu a lista dos chás, ficou tudo a ver navios, cacilheiros, botes, pois claro, e a menina a navegar, a surfar, a mergulhar na infusão das palavras! Sua, sua... chiquitita da hidroginástica! Mamma mia, ao que se chega, que mais poderia ser! Tinha desaparecido lá para o palacete da Sibéria, estava tudo descansado, e eu também, a imaginá-la congeladinha, muito quietinha com as mãozinhas no regalo, ou a fechar as suas palavrinhas terríveis à chave, e, qual não é o meu espanto, quando menos esperava, quando já tinha feito o luto, quando até já tinha dado o suspiro de alívio, quando esfregava as mãos de contente, zás! vem fresca e reabre a porta com um sorriso descarado àquilo que era só para artistas convidados, gente toda tão selecta que era, a bem dizer, inexistente! Bora pessoal, toca a entrar, mas com novas regras, agora aplaudem de pé, isso é que era bom! E tem um pobre homem ambições neste mundo, para acabar assim no cesto dos papéis, com um rascunho rejeitado! Um figurante foi no que a menina me tornou, um hilário de trazer por casa, um manga-de-alpaca! Que bela surpresa - ah, ah, ah! - vai ter a patroa quando vir isto, esta respostazinha à maneira, aqui pelo punho do Hilário! E deixe-se mas'é de coisinhas que não tenho tempo a perder, diga aí a essa menina flor, bastante dotada por sinal - não desfazendo -, que é uma das mulheres da nossa blogo vida (coisa esperta). Nem que a vaca tussa.

      Assinado,
      Manuel Hilário

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  2. Ai, ai, ai, senhor Manuel Hilário, agora fiquei com os nervos todos eriçados, como os picos de um ouriço alentejano. Podia não responder à sua missiva desculpando-me com um erro no destinatário, alegando que não sei ler, que tenho o gato doente e estou sem tempo, que estou de cama com bicos de papagaio. Seriam atalhos fáceis, esses. Mas eu escolho o caminho da verdade que é, como sabemos, uma vereda espinhosa. Deve ainda recordar-se que não compareceu ao nosso último jantar à luz de velas. Deixou-me plantada e eu nunca mais me voltei a levantar. E tanto que me abonequei para esse jantar. Tomei banho três vezes, frisei, enrolei e enfunei o cabelo, vesti uma vaporosa combinação de rendas e berloques, até desenterrei um vestido preto e sóbrio da naftalina, que uso nos raros funerais para que sou convidada. Sentia-me no sétimo céu, mas rapidamente caí a uma velocidade supersónica para o chão encerado do salão, onde ainda hoje estou sentada à sua espera. Desprezada, vilipendiada, encerrei o salão de chá e afoguei-me em tisanas e biscoitos. Em escassos meses, comi e bebi o stock de um ano e profanei a minha beleza. Engordei. O vestido preto e a combinação deixaram de me servir. Agora uso uma saia de trazer por casa, de cós elástico, e uma camisa aos quadrados brancos e cor-de-rosa-bombom, cujos botões já não consigo abotoar. Uma mulher é mais do que uma figureta sentadinha de velhota. Uma mulher tem um destino, um mundo dentro, o que, no meu caso, tendo em conta a minha impossibilidade de abotoar os últimos botões da camisa, é mais uma galáxia.
    Querido Hilário, meu anjo, um homem é mais do que um comentário, é mais do que as penas que escreve com uma Bic azul. Nas suas palavras creio ler um requinte disfarçado de rusticidade. E encontro, aqui e acolá, restos de ternura espalhada, como bagos de uva no fim da vindima. Eu sei que tendemos a maltratar os que mais amamos, mas perdoou-o por isso. Como posso eu não perdoar o homem que me ensinou o nome das borboletas e das aves e das flores? Se ainda me quer bem, sabe onde me encontrar. Estarei sentada, à sua espera, no Notas de Chão.

    P.S.: Se ficarmos juntos, convidamos a patroa para madrinha e adotamos a menina flor.

    Assinado,

    Smilinha

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    1. Não há melhor maneira de uma mulher afastar um homem do que dizer-lhe que engordou, ah, ah! Com que então está parecida com a vizinha da frente, a da fruta! Ou terá adoptado o corpanzil da escrita... Ou ter-se-á transformado em metáfora! Sim, porque a escrita entranha-se, rebenta com tudo! Mas essa de a menina agora ter a mania que é uma galáxia, ah, ah, (sempre teve a mania das grandezas), disfarçadinha de low profile, tudo técnica, mas agora, lá porque passou a usar o XXL não pense que é uma galáxia, que eu não lhe dou mais do que uma Vénus, e de Willendorf, sua gorducha - assim a impulsão é maior, espertinha, heim! - seu terror de carnes brancas, seu... seu iceberg, sua hipérbole! Por isso se cobria com a colcha, agora percebo! Fiz eu bem em me 'esquecer' do jantar, ah, ah, estava agora bem servido quando avançasse para mim com ímpetos de ternura galáctica! Vade retro! Mas se pensa que confio em si, engana-se, esmagadoramente, se é que me faço entender. A menina ainda no outro dia se descaiu. Pois não é verdade que lhe chamaram deusa junto a uma slot machine, ah, ah, e ainda por cima um rapazinho todo giro, boas maneiras, sorridente como vossa excelência, não um pobre bago de uva esmagado pelo seu pé ligeiro, não um pobre ouriço mutilado, não um pobre-tanas desempregado e a assinar de cruz por si com uma Bic sem tampa, que era o que queria, que eu lhe chamasse minha deusa, meu pássaro de tinta azul, minha querida Smilinha, ah, ah, agora que perdeu a cintura e a combinação do cofre, agora que perdeu o mobiliário, agora que é enorme e já nem se consegue levantar, o amor, o que faz o amor... e lá vai o Hilário, pau pra toda a obra, pois sim, pois sim, agora que já comeste os cachos todos da vindima, passa-me os píncaros, ah, ah, ah! Posso querer-lhe muito bem, que é tão boazinha para mim, mas fique sentada à espera anos-luz, já que é uma galáxia! E veja lá o que fez o Woody Allen com a filha adoptiva, ah, ah, olhe que a florinha é magrinha! e nova! Eu não ponho as mãos no fogo! Não confie num traste como eu; a menina, embora gorda, (ah, ah, ah), merece melhor!

      Manuel, o Hilário

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  3. Senhor Manuel Hilário, o receio que tenho de ler a sua resposta leva-me a entreabrir a porta da caixa de comentários com todo o cuidado, mostrando apenas o meu nariz perlado pelo vapor das tisanas. Não se esqueça que eu o conheço de outras vindimas. Sei que que o senhor mata a tristeza de ter nascido hilário com gargalhadas boçais e a sede, com enologias tiradas a martelo (ainda agora ia tropeçando na garrafa vazia que aqui deixou ontem à noite). É por isso que vem para aqui, sem tino e sem pedúnculo, aos caídos, possuído por uma linguagem dionisíaca, a insultar-me e a dar-me ordens “Vê nus, vê nus”. Francamente! Por quem é que o senhor me toma? Depois de tudo isto, já só me resta voltar para os meus três “C”: chão, chá e colcha. Como despedida, podia deixar-lhe um Tanka, que combinaria melhor com a sua figurinha, mas como não há ainda bolinha vermelha nas caixas de comentários, decido-me por um Haikai (ai, cai, se fazem, ai, cai, se pagam):

    Manuel Hilário sabe
    que nenhuma Bic faz como ele
    um borrão tão grande

    [Ah, ah, ah, que prazer ouvir estes cacarejos, estes risinhos histéricos a provirem da minha garganta. Voltei a sorrir.]

    Passe-vite, Monsieur Hilariant. Adieu.

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    1. Mostre o belo narizinho perlado pelo vapor das bezanas, isso sim! Ora eu, que a fui várias vezes buscar ao saloon, sei bem de que vindimas fala, meu anjo etílico, e que bela acidez tem! Que finura de aroma, que casta, a mim sempre me pareceu altamente gastronómica, e então cheinha, votada ao envelhecimento em novas barricas, encorpada e tilintante... tchim, atchiiim! É o que dá espiá-la ao relento, em pedúnculo, a bem dizer nu, vê? Por quem a tomo, agora já sabe, tomo-a por si, e já vão duas, hic! (Arre que é grande).

      Como bem vê, cara Ménade, sou um homem sério, sérieux :-(

      Manuel, o Caído, Ho kkaido, Yesso, isso.

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  4. Que mulheres lindas estão aqui!!! :)
    É muito bom ler-vos!!!

    Beijos

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    1. Sim! Sou testemunha! :)
      Uma vénia aos textos maravilhosos da Maria Eu!!!

      Beijos

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  5. (caramba, como vos adoro, mulheres!:)

    e que saudades de vos ler assim, de namorico pegado :b

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    1. Mujeres al borde de un ataque de nervios!
      Ah, ah, mulherio, é o que é :)
      Um abraço, querida flor

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