Atalhos de Campo


27.7.17

nota para uma conversa de café daqui a vinte e cinco anos

Quando eu ainda não tinha um ano, a minha avó recomeçou a vida num sítio que não conhecia. Vivia sozinha com duas cadelas e um gato. Era veterinária numa pequena aldeia. Ah, e tinha um blogue! E parece que um dia, para tirar uma fotografia a um triciclo, ou melhor, a uma bicicleta que estava num terraço de uma vizinha, precisou de usar um escadote para passar de uma açoteia para outra e depois de esconder-se, porque a vizinha apareceu. Então ela teve que esperar um bom bocado para conseguir tirar a fotografia clandestina, quase apanhando uma insolação. Tinha ficado fascinada com o ambiente daquele amontoado de coisas velhas, onde estavam brinquedos que já ninguém queria, entre eles uma bicicleta que teria sido a alegria de uma criança, na altura já homem adulto. Ela vivia obcecada com este tipo de coisas, com os ciclos de vida que se repetem, que se fecham e recomeçam de novo.