Atalhos de Campo


12.7.17

geringonça

Hoje castrei o Gerigonça. Seria um acto eleitoral se fosse a Geringonça, mas não. Esquecendo o risco desta anestesia geral, foi menos leal castrar o Geringonça do que seria oportuno castrar a Geringonça, mesmo que ela não estivesse ainda preparada. Suponho que também consegui a proeza de transformar o em o, com o auxílio de alguma técnica, o que para o caso poderia ter interesse. O Geringonça, como já se percebeu, é o meu novo gato. Um dia encontrei-o na minha cama, quando me ia deitar. Apanhei um valente susto ao distinguir uma sombra escura sobre os lençóis. Corri com ele, que desapareceu a derrapar pelos telhados. Mas ele insistiu e voltou umas noites a seguir, daí o nome, e eu voltei a correr com ele. Porém apercebi-me de que estava doente, pois deixara uma marca de sangue no sítio onde estivera deitado. De dia procurei-o, entre os muitos que por aqui andam, e encontrei finalmente um gato magro e desarticulado no andar, com um abcesso numa pata, que supus ser o acertado. Levou várias injecções até ficar curado, o que seria muito útil também na Geringonça,  mas para isso era preciso que ela se tivesse deitado na minha cama, coisa que felizmente não aconteceu.