Atalhos de Campo


8.6.17

colonial

Na esplanada do Café Central da vila, um homem lê à sombra. O bege acentua-lhe a cor escura da pele. As feições, finamente desenhadas sobre ossos longos, e a postura distinta, denunciam a sua origem. Um relógio e um anel em ouro com uma pedra, brilham, quando no campanário da igreja soa exactamente a uma da tarde sem tempo. Um copo de vinho tinto é colocado com lentidão sobre a mesa enquanto o Financial Times é elegantemente dedilhado como música antiga. O homem que veio de Nascente bebe um pequeno golo de vinho na pausa ínfima entre o passar de cada pauta. Nada o perturba até estacionar no largo uma Ford Transit branca. Uma mulher de meia idade, alta e loura, de roupas claras e cabelo curto aproxima-se e diz Hello! Hi, é a resposta, com rotação do olhar em quarto de circunstância. A mulher comenta alegremente em voz alta que conduz aquela carrinha por lhe dar jeito no dia-a-dia, e os olhos azuis acendem-se mais ainda quando justifica, pareço uma cigana, uma das deles, mas temos de nos mexer senão com a idade vamos parando e o cérebro também pára, não é? É. Mas também há uma forma de nos movermos a alta velocidade, estando completamente imóveis.