Atalhos de Campo


21.5.17

dominical

Rego o pé das flores 
com a mangueira ecológica
Rego o pé das flores
com a mangueira ecológica
para o amor não tenho
nem um pingo de cuidar
para o amor não tenho
nem um pingo de cuidar
por isso acordo ao Domingo
sem ter uma flor de amar

Chego à cidade azul
das flores de jacarandá
no meu jardim do sul
trepa um novo maracujá
no meu jardim do sul
trepa um novo maracujá

Entrego uma moeda só
por um copo de cerveja
os golos ficam marcados
com a espuma do frio
os golos ficam marcados
com a espuma do frio
na mesa onde sobrou
o teu lugar vazio

O homem era gordo e alto
e gritava qualquer coisa
a guitarra ainda mais alto
mandava calar a harmónica
as panelas na cozinha 
ralhavam em percussão
o teatro ficou surdo
o teatro ficou surdo
até que veio outro homem
com uma alma melódica
e acabou a discussão

O homem era magro e calmo
como um rio no Verão
o homem era magro e calmo
como um rio no Verão
pela boca gemia um salmo
que lhe fugia da mão

A minha voz é um barco
no delta do Mississipi
A minha voz é uma vela  
acesa na Ria Formosa 

Nas linhas da minha guitarra
dedilho Andaluzia
Com a boca ele desamarra
e prende ao cais a prosa
de harmónica melancolia

Rego o pé das flores
com a mangueira ecológica
Rego o pé das flores
com a mangueira ecológica
e depois, baby 
já no fim
volto o chuveiro para mim.