Atalhos de Campo


30.5.17

Depois...

Olhámo-nos um dia,
E cada um de nós sonhou que achara 
O par que a alma e a cara lhe pedia.

- E cada um de nós sonhou que o achara...

E entre nós dois, 
Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
... se deu e se dará continuamente:

Na palma da tua mão, 
me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

(...)

E assim Eva e Adão se conheceram:

Tu conheceste a força dos meus pulsos,
A miséria do meu ser,
Os recantos da minha humanidade,
A grandeza do meu amor cruel,
Os veios de oiro que o meu barro trouxe...

Eu, os teus nervos convulsos,
O teu poder,
A tua fragilidade,
Os sinais da tua pele,
O gosto do teu sangue doce...

Depois...

Depois o quê, amor? Depois, mais nada,
- Que Jeová não sabe perdoar!

O Arcanjo entre nós dois abrira a espada...

Continuamos a ser dois,
E nunca nos pudemos penetrar!

José Régio/Adão e Eva