Atalhos de Campo


21.3.17

em resposta a um pedido

Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes...»
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta 
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus e degraus
e degraus
e degraus até ao rio.

Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade/ Lisboa
Coração do dia 




6 comentários:

  1. Encontrei a rapariga airosa a dançar mas, por Deus, os poetas não assomavam às varandas para a cantar...

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    1. não havia poeta corajoso e trovador
      que se envergonhasse de ser apenas fingidor?

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  2. Cantavam suas penas e dores, poeiras de desamores, mas para a rapariga, nem trova nem cantiga...

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    1. e até no dia mundial
      votaram a musa a esse abandono total?

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  3. Poetas sem horas nem dias, sem melhoras nem alegrias. Foi preciso a rapariga tocar à campainha, para almejarem uma modinha!

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    1. Convoquemos então os antigos
      Camões, O'Neill e Pessoa
      Rasguemos nas portas postigos
      Não deixemos fugir Lisboa!

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