Atalhos de Campo


14.2.17

Marie Brizard

Estaciono à beira da estrada, junto ao ecoponto. Ouço o som do vidro a partir-se no frio, empurro com força o saco de plástico vazio das pinhas, repleto de polietilenos. Irrito-me por não me ter lembrado do lixo orgânico, era só atravessar a estrada, que atravesso, em direcção aos outros contentores, antes de entrar na espécie de saloon com pastéis de nata, cafés, e coisas que não uso, como raspadinhas. As raparigas rebolam-se diante dos homens enquanto lhes servem shots que matam a manhã. Embora Angel não condiga com isto, pergunto à mulher jovem se sabe de alguém que me possa mudar as fechaduras. Ela escreve em números redondos um nome em um papel, e, diligente, telefona ao carcereiro. Olho em frente para o espelho que trespassa o vidro das prateleiras. Mais alto, os meus olhos pousam numa garrafa de Marie Brizard. A garrafa é tal e qual a lembrança do meu avô: transparente, com uma braçadeira azul. Bebo o último golo de café, acabo de comer o pastel de nata, e, ao sair, inspiro aquele velho anis adormecido, na minha nova liberdade. 

15 comentários:

  1. Gosto do aroma do anis. Não tenho cá Marie Brizard, mas comprei, há talvez mais de um ano, uma garrafa de anis escarchado. Ainda não a encetei. É raro tomar bebidas alcoólicas. :)

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    1. Em casa dos meus avós havia sempre Marie Brizard, como se fosse um anis conservado em flor. :)

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    1. Eu também, querida Teresa.
      Um horrorosinho.
      :-)

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    2. Querida Susana, tenho saudades de poder ler os teus textos maravilhosos e de ser a primeira a comentar.
      Estou mesmo horrí(fica)- zinha...:)

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  3. Tudo o que me leva à memória dos meus avós, apazigua-me, encho um cálice e brindo a eles. Sei que me sentem :)
    Espero que estejas bem.
    Bom serão, Teresa.

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    1. ana, ando dormente de trabalho, o resto corre bem.
      perdoa-me não te visitar, não sei quando vou conseguir.
      brindo a isso.

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  4. Marie Brizard faz eco nas minhas memórias, também.

    Beijos, Teresa, e abraços estreitos :)

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  5. Anizette não bebo, mas enceto o anis escarchado da luisa e brindo consigo, com ela, com todos.

    Cheers!

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  6. Ah... ufa. ainda bem que é (só) muito trabalho.

    Quer dizer que há muito bichinho sortudo por aí. :-)

    Beijinho, Teresa. Que consigas descansar um pouco estes dias.

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    1. Beijinho, Susana. Tenho sorte de sobreviver entre animais. :)

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