Atalhos de Campo


18.12.16

gaivotas em terra

A mulher que já não escrevia cartas de amor, sabia que devia soltar a rola-turca. Então, numa tarde bonita entre os dias de caça, quando a rola lhe pousou na cabeça, a mulher que já não escrevia cartas de amor, em vez de se sentar, abriu a porta que dava para o telhado de entrada, a que tinha um monograma, a que sabia que era a porta principal. A rola que já não esperava voar, assustou-se, e voou entre as janelas sem vidros e o aro sem porta, agitando o ar frio do pequeno alpendre que sabia que não era casa. A mulher achou lindo aquele bater de asas inocente, e então saiu a porta que não era porta, para lhe indicar o caminho que era para a liberdade. A rola que já não esperava voar, seguiu-a, mas em vez de lhe voltar a pousar na cabeça, subiu muito alto no céu limpo, e, a seguir, desapareceu. A mulher voltou a entrar em casa com aquele pedaço de céu vazio nos olhos.

8 comentários:

  1. A mulher voltou a entrar em casa com aquele pedaço de céu vazio nos olhos e o voo da liberdade na alma.

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  2. Em breve, a mulher voltará a escrever cartas de amor.

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  3. O céu ficou vazio mas mas a liberdade deixa um gosto tão bom. Talvez volte a escrever cartas de amor :)

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  4. O destino das rolas é a liberdade. O das mulheres é escrever cartas de amor. Cumprir-se-á o destino.

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  5. Contudo, a mulher que deixara de escrever dessas cartas, inscreveu no céu um belo poema, que também era de amor.:)

    São velhas as estrelas, e elas são
    Grandes. Velho e pequeno é o coração,
    E contém mais do que as estrelas todas,
    Sendo, sem espaço, mais que a imensidão.

    Fernando Pessoa

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