A mulher que já não escrevia cartas de amor, sabia que devia soltar a rola-turca. Então, numa tarde bonita entre os dias de caça, quando a rola lhe pousou na cabeça, a mulher que já não escrevia cartas de amor, em vez de se sentar, abriu a porta que dava para o telhado de entrada, a que tinha um monograma, a que sabia que era a porta principal. A rola que já não esperava voar, assustou-se, e voou entre as janelas sem vidros e o aro sem porta, agitando o ar frio do pequeno alpendre que sabia que não era casa. A mulher achou lindo aquele bater de asas inocente, e então saiu a porta que não era porta, para lhe indicar o caminho que era para a liberdade. A rola que já não esperava voar, seguiu-a, mas em vez de lhe voltar a pousar na cabeça, subiu muito alto no céu limpo, e, a seguir, desapareceu. A mulher voltou a entrar em casa com aquele pedaço de céu vazio nos olhos.
A mulher voltou a entrar em casa com aquele pedaço de céu vazio nos olhos e o voo da liberdade na alma.
ResponderEliminarEm breve, a mulher voltará a escrever cartas de amor.
ResponderEliminarO céu ficou vazio mas mas a liberdade deixa um gosto tão bom. Talvez volte a escrever cartas de amor :)
ResponderEliminarprontos, lá se foi o arrozinho...
ResponderEliminar:)
O destino das rolas é a liberdade. O das mulheres é escrever cartas de amor. Cumprir-se-á o destino.
ResponderEliminarAi Cuca...o teu sangue pirata?...
EliminarPode ser-se rola ou mulher, Ana! :)
EliminarContudo, a mulher que deixara de escrever dessas cartas, inscreveu no céu um belo poema, que também era de amor.:)
ResponderEliminarSão velhas as estrelas, e elas são
Grandes. Velho e pequeno é o coração,
E contém mais do que as estrelas todas,
Sendo, sem espaço, mais que a imensidão.
Fernando Pessoa