Por vezes, conseguir retirar um pico profundamente espetado no dedo médio da mão direita, com o auxílio da mão esquerda, pode ser o maior êxito do dia.
Blue, era um pico fino como uma agulha de insulina, mas curvo, que conseguiu atravessar a luva de jardinagem cheia de terra. Parecia um projéctil. Desinfectei, mas... A natureza não brinca, andou milénios a aperfeiçoar as suas armas.
Retomando a ideia da metáfora, talvez a vida seja totalmente tátil. E é nessa busca que é viver, nesse incessante tatear da geografia dos dias, que descobrimos a nossa própria vulnerabilidade. Há espinhos que não se deixam arrancar, que criam uma raiz funda na carne e que passam a fazer parte da anatomia de uma pessoa. Há espinhos que se transformam em pele. E é com eles que se tem de viver (tatear). No caso do meu pai, e de muitas outras pessoas cegas, são as mãos que dão sentido aos olhos. Os olhos já não veem, mas ainda conseguem chorar. E se há dias em que conseguimos ver uma flor resplandecente numa ferida aberta, outros há em que só vemos as marcas de uma coroa de espinhos.
Tão triste, isso que escreves. Digito as palavras e dói-me o dedo, mas também me ficou a doer o coração. Nunca teria escrito este post se ele não fosse uma metáfora, um atalho para qualquer sítio. Já tacteaste uma flor de olhos fechados? Não tem espinhos, é maravilhosamente suave. Espero que tenha chegado aí.
Um beijinho, querida Miss Smile. [os dias tristes fazem-nos desenterrar tristezas e transformam picos em espinhos]
E se o for em sentido metafórico até pode ser o maior êxito de uma vida.
ResponderEliminarUm futuro ambidestro! É como conseguir encontrar a alma gémea.
EliminarÉ um enorme êxito, que evita uma série de chatices, sem falar nas dores, que tomam conta de um dia inteiro enquanto não sai o pico.
ResponderEliminarBlue, era um pico fino como uma agulha de insulina, mas curvo, que conseguiu atravessar a luva de jardinagem cheia de terra. Parecia um projéctil. Desinfectei, mas... A natureza não brinca, andou milénios a aperfeiçoar as suas armas.
Eliminare o maior alívio dos últimos tempos...
ResponderEliminaré sempre assim, Deus olha, e chama-nos a atenção...
EliminarRetomando a ideia da metáfora, talvez a vida seja totalmente tátil. E é nessa busca que é viver, nesse incessante tatear da geografia dos dias, que descobrimos a nossa própria vulnerabilidade. Há espinhos que não se deixam arrancar, que criam uma raiz funda na carne e que passam a fazer parte da anatomia de uma pessoa. Há espinhos que se transformam em pele. E é com eles que se tem de viver (tatear). No caso do meu pai, e de muitas outras pessoas cegas, são as mãos que dão sentido aos olhos. Os olhos já não veem, mas ainda conseguem chorar. E se há dias em que conseguimos ver uma flor resplandecente numa ferida aberta, outros há em que só vemos as marcas de uma coroa de espinhos.
ResponderEliminarUm beijinho, querida Teresa
[desculpa o desabafo, hoje estou triste]
Tão triste, isso que escreves. Digito as palavras e dói-me o dedo, mas também me ficou a doer o coração.
EliminarNunca teria escrito este post se ele não fosse uma metáfora, um atalho para qualquer sítio. Já tacteaste uma flor de olhos fechados? Não tem espinhos, é maravilhosamente suave. Espero que tenha chegado aí.
Um beijinho, querida Miss Smile.
[os dias tristes fazem-nos desenterrar tristezas e transformam picos em espinhos]