Uso uma pequena pá para fazer a cova no canteiro, de tamanho suficiente para albergar apenas a raiz da planta. Removo várias radículas como capilares quase transparentes, que estão espalhados por toda a superfície da terra, mate e desnutrida. Oferece-me resistência. Sinto-a cansada, a esquivar-se de mais esta boca. Solto-a das aderências em volta, com os dedos, e apercebo-me de que está mais quente do que as minhas mãos e do que o ar, que arrefece a cada minuto. Quando acabo de ajeitar a terra e de regar, já mal vejo a haste da malva que plantei, mas em compensação a lua acabou de se abrir totalmente no céu, e uma bola enorme e amarela aparece acesa por trás dos pinheiros. São boas para afastar as moscas, lembro-me de ter ouvido ao aceitar a planta, (então vou colocá-la perto da piscina, pensei), dá muitos filhos, continuou o senhor B., fazendo um gesto onde cabia um tronco de árvore da envergadura de um abraço, precisa de um espaço grande.
é como se te visse. a lua está cheia?
ResponderEliminartem um bom serão, Teresa.
grávida de fim de tempo... :)
EliminarTem um bom serão também, ana. (Mexer na terra faz tão bem.)
Ao ler este texto telúrico fico a pensar que um dia tenho que experimentar um jardim, um vaso que seja. Nunca plantei nada. E hoje nem sequer fui ver a lua.
ResponderEliminarQuando era pequena fizemos um jardim, em África. Desenhámos os canteiros e fomos nós que plantámos a relva e as flores. Nunca mais consegui deixar de mexer na terra, nem que fosse num vaso. Mas, apesar das pragas e das vicissitudes climatéricas, é muito mais gratificante ver crescer um jardim; se possível, recomendo.
EliminarA lua hoje impunha-se: em campo aberto, como evitá-la?
só em sonhos vejo terra... e a lua, quase toda coberta.
ResponderEliminarvou levar-te uma picareta para te libertares desse pesadelo cimentado.
Eliminartu queres é ver-me a fazer cócegas no betão :)
ResponderEliminarvou fazer uma colecta para te oferecermos um martelo-pneumático pelo Natal :)
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