Às vezes, ter de oferecer qualquer coisa deixa-nos à beira do abismo, complica-nos de uma tal maneira a vida, até um ponto que nunca suspeitaríamos. É perigoso oferecer. O gesto é, desde logo, a extrema manifestação de uma arte elegante, mas convém não esquecermos que tem o seu lado selvagem.
Enrique Vila-Matas/ Diário Volúvel
O presente de amor procura-se, escolhe-se e compra-se na maior excitação - excitação essa que parece ser da ordem da felicidade. Calculo activamente se este objecto dará prazer, se não desiludirá ou se, pelo contrário, parecendo muito importante, ele próprio não denunciará o delírio - ou o logro - em que estou preso.
(...)
O presente não é forçosamente uma sujidade mas, de qualquer modo, tem vocação de resíduo: o presente que recebo, não sei que fazer dele, não se ajusta ao meu espaço, é um empecilho, está a mais: «O que devo fazer da tua oferta!»; «A-tua-oferta» torna-se o nome-farsa do presente de amor.
Roland Barthes/ Fragmentos de um Discurso Amoroso
os melhores presentes são aqueles que não se compram :)
ResponderEliminarboa tarde, Teresa.
os teus são lindos e úteis, ana. :)
Eliminartem uma boa tarde, também.