Atalhos de Campo


18.10.16

é perigoso oferecer*

Às vezes, ter de oferecer qualquer coisa deixa-nos à beira do abismo, complica-nos de uma tal maneira a vida, até um ponto que nunca suspeitaríamos. É perigoso oferecer. O gesto é, desde logo, a extrema manifestação de uma arte elegante, mas convém não esquecermos que tem o seu lado selvagem.

Enrique Vila-Matas/ Diário Volúvel

O presente de amor procura-se, escolhe-se e compra-se na maior excitação - excitação essa que parece ser da ordem da felicidade. Calculo activamente se este objecto dará prazer, se não desiludirá ou se, pelo contrário, parecendo muito importante, ele próprio não denunciará o delírio - ou o logro - em que estou preso.
(...)

O presente não é forçosamente uma sujidade mas, de qualquer modo, tem vocação de resíduo: o presente que recebo, não sei que fazer dele, não se ajusta ao meu espaço, é um empecilho, está a mais: «O que devo fazer da tua oferta!»; «A-tua-oferta» torna-se o nome-farsa do presente de amor.

Roland Barthes/ Fragmentos de um Discurso Amoroso 

2 comentários:

  1. os melhores presentes são aqueles que não se compram :)
    boa tarde, Teresa.

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    1. os teus são lindos e úteis, ana. :)
      tem uma boa tarde, também.

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