Atalhos de Campo


8.10.16

certificada com aforro

A observação diária do comportamento de um coelho-bravo, mantido em cativeiro até estar apto para ser posto em liberdade, pode tornar-se num bom exemplo de como gerir uma despensa em tempo de crise. Swatch, a jovem coelha de quatro meses, tem um comedimento genético no governo da sua toca. Se lhe é fornecida uma segunda cenoura, ela só começa a comê-la depois de ter finalizado a primeira; ingere também, com enorme sensatez, os vários cereais que tem à disposição: trigo duro, espiga de milho, sementes de girassol, ração, mantendo sempre alguns grãos de reserva, o que a torna magra e ágil; equilibra o consumo de feno e luzerna fresca, conservando ambas as quantidades fornecidas acessíveis para 24 horas; a primeira vez que entornou a taça da água percebeu que era melhor não repetir; aprendeu desde logo que o WC é um guardanapo reciclado, colocado diariamente a um canto, e usa-o com uma higiene e precisão notáveis. A toca permanece organizada e limpa, tanto quanto possível, pela sua inclina. Até na reivindicação de mimo é comedida: pede atenção com a pata, gosta muito de festas na cabeça, mas detesta ser agarrada. 

4 comentários:

  1. estou fascinado :)
    mesmo na ausência de um modelo a seguir, tem todas as informações que precisa para sobreviver em qualquer ambiente. Isto quer dizer que nós também, por isso nã se entende porquê que algumas pessoas teimam em ser outra coisa que nã seja um ser humano...

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    1. é absolutamente fascinante. Só não a soltei ainda porque a acho pequena, e temo que com esta seca se aproxime da casa para comer... aí não terá hipótese porque os cães permanecem alerta e os gatos também. E as aves de rapina, que não deixariam passar um petisco bem alimentado... Há um dos gatos que a namora todos os dias por trás do vidro da porta. :) Suponho que para fins de Novembro já consigo ir soltá-la num sítio de tocas, junto ao montado, mas tenho que ir sem eles. Apercebo-me desta grande diferença entre humanos e animais: nós não nascemos preparados para nada, e vamos sendo, demasiadas vezes, mal preparados. Os animais são, eles próprios, de uma dignidade imensa e, neste caso, um belo exemplo de parcimónia.

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  2. Fantástico Teresa, nunca imaginaria que um coelho pudesse ser assim e que conseguisse aprender algo. Nós, os humanos, temos de facto muito a aprender :)

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    1. É muito inteligente, digo-te; faz uma gestão exemplar do espaço.
      Acredita que eu já aprendi com ela. Agora solto-a de vez em quando
      lá fora, para se ir habituando, mas tem tendência para se esconder
      nos canteiros; camuflada pela pelagem por vezes nem a distingo.
      (Claro que tenho que prender o resto da bicharada.)
      Afinal são animais que vivem sobretudo em tocas, muito mais do que as lebres. :)

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