Atalhos de Campo


15.9.16

swatch

Foi desde que passei a andar sem relógio que me começaram a acontecer coisas extraordinárias, mais precisamente quando passei a regular-me pelo Sol e pela Lua. Hoje dei um belo passeio ao luar e reparei que a Lua está quase, quase cheia. Também reparei esta tarde, quando o Sol se dirigia para poente, que a Horta, uma das vacas, deve parir para muito breve porque já se lhe nota amojo, e anda bastante devagar; é bem provável que seja nesta mudança de Lua. Chamei-a para lhe dar umas guloseimas, que ela recebeu asperamente na ponta da língua, e não precisei de olhar para nenhum relógio para saber que deveriam ser já sete horas quando me despedi da pré-parturiente, porque a rola-turca que costuma pousar ao fim da tarde na antiga antena de televisão começou a arrulhar. Como não podia deixar de ser, no Verão atraso-me, no Inverno adianto-me, mas a média anual é normal. No entanto é um pouco difícil acertar com as horas de quem continua a usar relógio, e que, por exemplo no Verão, não costuma almoçar às quatro horas da tarde nem jantar às onze da noite. Mas que mal trará isso ao mundo? Julgo que nenhum. Aqui, a esta hora da Lua, parece ninguém dar importância. Swatch, o coelho-bravo, costuma estar de olho arregalado, correr e saltar, o que significa que deve faltar pouco para a meia-noite. Quando sossegar serão duas horas da manhã; é também a minha hora de fechar o livro, e adormecer. 

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