O médico parteiro chega ao seu trabalho sem vacilar, Vejo a mão do ancião que pressiona, recebe e sustém, Reclino-me no limiar das portas flexíveis e delicadas, E observo a saída, e observo o alívio e a libertação. Walt Whitman
Foi um dia feriado, em que fui assistir a vários partos. Gostava de saber o que foi feito do bezerro, mas é impossível. Não me lembro se era macho ou fêmea; geralmente as fêmeas ficam na vacada. Ali não há vaquinhas a comer à mão... é uma vida dura, mas uma vaca pode viver quinze anos, se for parindo uma vez por ano, apesar de tudo em liberdade.
Aqui chamam "baixela" à vaca com a cornadura assim torta :) Esta era bastante brava...
São partos distócicos, que obrigam à intervenção do veterinário. Neste caso a apresentação do feto é normal (de cabeça), o que acontece é que, ou flectem as patas, ou o pescoço, ou são muito grandes, o que pode implicar cesariana. O papel do veterinário é enfiar o braço até encontrar o feto e endireitar as mãos, ou guiar a cabeça até a introduzir no canal do parto. Geralmente a vaca já está cansada e pouco ajuda com contracções, por isso se usam cordas nas patas e até uma espécie de alavanca, para conseguir traccionar o feto.
Salvar um animal nestas condições é uma vitória bastante suada. :)
Fico comovida também, Susana, porque tenho aquele dia mágico muito presente. Nesta herdade só estava o vaqueiro, mas na segunda a que fomos a vaca estava muito bem tratada, era mansa e tinha um chocalho ao pescoço. Toda a família assistiu ao parto, desde os avós aos netos. O bezerro era muito grande; esse lembro-me que era um macho porque o vaqueiro disse, "esta marota já é a segunda vez seguida que pare um macho". A avó tinha ao colo um neto de três anos, que assistiu a tudo muito sério. A vida no campo é assim. A vaca começou a cuidar imediatamente do bezerro. Foi muito bonito.
Espero que a da fotografia seja uma bezerra... se for pode ser "A Portuguesa" :)
momentos reais. estes momentos é que nos fazem perceber que a realidade fica mais colorida, e mais intensa, quando uma vida está a abrir passagem para o mundo. boa noite, Teresa. Um beijinho.
É verdade, Mia. Este dia trouxe-me um colorido diverso daquele a que estava habituada: estradas secundárias, grandes planícies, caminhos por entre animais curiosos à nossa passagem. E depois é como diz, "uma vida está a abrir passagem para o mundo" e nós estamos a ajudá-la a passar. Um dia assim é um dia pleno.
Esta não é a minha área, só fui assistir e aproveitei para fotografar, mas uma vez foi preciso fazer uma cesariana a uma vaca Charolesa que tinha um bezerro enorme e eu acabei a ajudar no meio do campo. Terminámos já de noite, com uma lanterna apontada para o cirurgião conseguir finalizar a sutura da pele. É de facto emocionante vê-los surgir e passado pouco tempo já a levantarem a cabeça e a tentarem pôr-se de pé. :)
que maravilha, teresa.
ResponderEliminaro que é feito desse bezerro?
(adoro a cornadura torta da mãe :)
Foi um dia feriado, em que fui assistir a vários partos. Gostava de saber o que foi feito do bezerro, mas é impossível. Não me lembro se era macho ou fêmea; geralmente as fêmeas ficam na vacada. Ali não há vaquinhas a comer à mão... é uma vida dura, mas uma vaca pode viver quinze anos, se for parindo uma vez por ano, apesar de tudo em liberdade.
EliminarAqui chamam "baixela" à vaca com a cornadura assim torta :)
Esta era bastante brava...
E eu que nunca tinha assistido a um nascimento destes... :)
ResponderEliminarSão partos distócicos, que obrigam à intervenção do veterinário. Neste caso a apresentação do feto é normal (de cabeça), o que acontece é que, ou flectem as patas, ou o pescoço, ou são muito grandes, o que pode implicar cesariana. O papel do veterinário é enfiar o braço até encontrar o feto e endireitar as mãos, ou guiar a cabeça até a introduzir no canal do parto. Geralmente a vaca já está cansada e pouco ajuda com contracções, por isso se usam cordas nas patas e até uma espécie de alavanca, para conseguir traccionar o feto.
EliminarSalvar um animal nestas condições é uma vitória bastante suada. :)
Caramba, Teresa, isto é bom! Obrigada. Que coisa linda. Obrigada mesmo, muito.
ResponderEliminarE o bezerro? chama-se Portugal? Camões? :-)
A tua profissão é tão bonita e tu também.
Um abraço comovido, querida Teresa.
Fico comovida também, Susana, porque tenho aquele dia mágico muito presente. Nesta herdade só estava o vaqueiro, mas na segunda a que fomos a vaca estava muito bem tratada, era mansa e tinha um chocalho ao pescoço. Toda a família assistiu ao parto, desde os avós aos netos. O bezerro era muito grande; esse lembro-me que era um macho porque o vaqueiro disse, "esta marota já é a segunda vez seguida que pare um macho". A avó tinha ao colo um neto de três anos, que assistiu a tudo muito sério. A vida no campo é assim. A vaca começou a cuidar imediatamente do bezerro. Foi muito bonito.
EliminarEspero que a da fotografia seja uma bezerra... se for pode ser "A Portuguesa" :)
Um abraço, querida Susana. Que bom teres gostado.
momentos reais. estes momentos é que nos fazem perceber que a realidade fica mais colorida, e mais intensa, quando uma vida está a abrir passagem para o mundo.
ResponderEliminarboa noite, Teresa.
Um beijinho.
É verdade, Mia. Este dia trouxe-me um colorido diverso daquele a que estava habituada: estradas secundárias, grandes planícies, caminhos por entre animais curiosos à nossa passagem. E depois é como diz, "uma vida está a abrir passagem para o mundo" e nós estamos a ajudá-la a passar. Um dia assim é um dia pleno.
EliminarBoa noite e um beijinho.
Ó que lindo Teresa. Tão bonito ver nascer uma vida, muito mais fazê-la nascer. Deves sentir-te emocionada nestes momentos... :)
ResponderEliminarEsta não é a minha área, só fui assistir e aproveitei para fotografar, mas uma vez foi preciso fazer uma cesariana a uma vaca Charolesa que tinha um bezerro enorme e eu acabei a ajudar no meio do campo. Terminámos já de noite, com uma lanterna apontada para o cirurgião conseguir finalizar a sutura da pele.
EliminarÉ de facto emocionante vê-los surgir e passado pouco tempo já a levantarem a cabeça e a tentarem pôr-se de pé. :)