Atalhos de Campo


17.9.16

Memórias de um parto # repost 16

O médico parteiro chega ao seu trabalho sem vacilar,
Vejo a mão do ancião que pressiona, recebe e sustém,
Reclino-me no limiar das portas flexíveis e delicadas,
E observo a saída, e observo o alívio e a libertação.

Walt Whitman













São Brás do Regedouro, 10 de Junho de 2014  

10 comentários:

  1. que maravilha, teresa.
    o que é feito desse bezerro?

    (adoro a cornadura torta da mãe :)

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    1. Foi um dia feriado, em que fui assistir a vários partos. Gostava de saber o que foi feito do bezerro, mas é impossível. Não me lembro se era macho ou fêmea; geralmente as fêmeas ficam na vacada. Ali não há vaquinhas a comer à mão... é uma vida dura, mas uma vaca pode viver quinze anos, se for parindo uma vez por ano, apesar de tudo em liberdade.

      Aqui chamam "baixela" à vaca com a cornadura assim torta :)
      Esta era bastante brava...

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  2. E eu que nunca tinha assistido a um nascimento destes... :)

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    1. São partos distócicos, que obrigam à intervenção do veterinário. Neste caso a apresentação do feto é normal (de cabeça), o que acontece é que, ou flectem as patas, ou o pescoço, ou são muito grandes, o que pode implicar cesariana. O papel do veterinário é enfiar o braço até encontrar o feto e endireitar as mãos, ou guiar a cabeça até a introduzir no canal do parto. Geralmente a vaca já está cansada e pouco ajuda com contracções, por isso se usam cordas nas patas e até uma espécie de alavanca, para conseguir traccionar o feto.

      Salvar um animal nestas condições é uma vitória bastante suada. :)

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  3. Caramba, Teresa, isto é bom! Obrigada. Que coisa linda. Obrigada mesmo, muito.

    E o bezerro? chama-se Portugal? Camões? :-)

    A tua profissão é tão bonita e tu também.

    Um abraço comovido, querida Teresa.

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    1. Fico comovida também, Susana, porque tenho aquele dia mágico muito presente. Nesta herdade só estava o vaqueiro, mas na segunda a que fomos a vaca estava muito bem tratada, era mansa e tinha um chocalho ao pescoço. Toda a família assistiu ao parto, desde os avós aos netos. O bezerro era muito grande; esse lembro-me que era um macho porque o vaqueiro disse, "esta marota já é a segunda vez seguida que pare um macho". A avó tinha ao colo um neto de três anos, que assistiu a tudo muito sério. A vida no campo é assim. A vaca começou a cuidar imediatamente do bezerro. Foi muito bonito.

      Espero que a da fotografia seja uma bezerra... se for pode ser "A Portuguesa" :)

      Um abraço, querida Susana. Que bom teres gostado.

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  4. momentos reais. estes momentos é que nos fazem perceber que a realidade fica mais colorida, e mais intensa, quando uma vida está a abrir passagem para o mundo.
    boa noite, Teresa.
    Um beijinho.

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    1. É verdade, Mia. Este dia trouxe-me um colorido diverso daquele a que estava habituada: estradas secundárias, grandes planícies, caminhos por entre animais curiosos à nossa passagem. E depois é como diz, "uma vida está a abrir passagem para o mundo" e nós estamos a ajudá-la a passar. Um dia assim é um dia pleno.

      Boa noite e um beijinho.

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  5. Ó que lindo Teresa. Tão bonito ver nascer uma vida, muito mais fazê-la nascer. Deves sentir-te emocionada nestes momentos... :)

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    1. Esta não é a minha área, só fui assistir e aproveitei para fotografar, mas uma vez foi preciso fazer uma cesariana a uma vaca Charolesa que tinha um bezerro enorme e eu acabei a ajudar no meio do campo. Terminámos já de noite, com uma lanterna apontada para o cirurgião conseguir finalizar a sutura da pele.
      É de facto emocionante vê-los surgir e passado pouco tempo já a levantarem a cabeça e a tentarem pôr-se de pé. :)

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