Atalhos de Campo


12.8.16

Lei das Sesmarias

Ao visitar de novo o monte abandonado, verifiquei que a derrocada continuou, impiedosa. Apenas a pequena capela, em tempos saqueada, no telhado da qual foi implantado um marco geodésico, persiste de pé, intacta. Linda, mantém ainda restos dos antigos frescos nas paredes grossas e no altar em alvenaria. Atrás, marcado na parede como uma sombra, está o contorno do crucifixo, arrancado da base. Em ambos os lados, os nichos altos e simétricos, estão também vazios dos seus santos. O tecto abobadado é uma obra de arte, agora decorada com ninhos de andorinha. Não há porta (suponho que terá sido também levada). O resto que se segue são escombros da antiga casa implantada no alto da colina. A paisagem em volta é de cortar a respiração: montados com sobreiros esparsos alternados com olivais antigos; no sopé, a uma certa distância, distingue-se outro monte e a fina estrada em linha recta até lá. O horizonte, suavemente bordado por colinas cinza azulado, descreve um circulo perfeito para receber a cúpula do céu. Ao nosso lado uma figueira sequiosa, repleta de figos, estende os braços nus como uma mãe cansada. Fazendo o caminho de volta ao carro, passa-se por um curro desmoronado e por aquilo que parecem ter sido dois estábulos. A imensa azinheira secular ali permanece pousada debaixo do céu, solitária como um enorme candelabro esquecido, de mil luzes acesas ao pôr-do-sol. 

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