Atalhos de Campo


19.7.16

técnicas de fuga

Querer salvar um pássaro desorientado entre os vidros do alpendre pode não ser fácil. O pássaro entende que nós o queremos caçar (e bem), e foge o mais alto que pode a esvoaçar colado aos vidros junto ao tecto. Este parecia um pardal, mas ao aproximar-me dele percebi que era um rouxinol-dos-caniçais ainda jovem - pequeno, fusiforme, com a cauda mais longa, o bico mais comprido e estreito, as patas finas e altas. Para o salvamento foram necessários dois escadotes e quatro mãos. Não resultou tentar apanhá-lo pelas penas porque elas se soltam automaticamente, libertando o pássaro. Com cuidado conseguiu-se segurá-lo envolvendo-lhe todo o corpo com a mão. O passarinho piou aflito, mas a mão dirigiu-se com ele em segurança para a porta do céu e foi só aí que se abriu. Ele voou, incrédulo. Para epílogo reparei que um dos gatos estivera a assistir a toda a cena, bocejando de tédio. A natureza é perfeita. Dá sempre mais do que uma oportunidade.

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