Atalhos de Campo


15.6.16

o poder das imagens no século XXI

Perguntou-me quem era o cavaleiro de Domingo; respondi-lhe que não sabia quem era, que não tinha sido eu quem reparara pela primeira vez naquele homem que ao Domingo costumava passar tranquilamente pela estrada em frente da quinta, montado num cavalo branco; que só o vira naquele dia, mas que correra a fotografá-lo porque mantinha no meu imaginário a figura de um cavaleiro solitário como um modelo de liberdade adolescente. Que conseguira fazê-lo in extremis, e que o nomeara o cavaleiro de Domingo. Aquela era finalmente, na imagem conseguida, a prova que me viera salvar a ideia de liberdade.   

4 comentários:

  1. Apesar de estarmos no seculo XXI o poder da imagem não se perdeu. Ainda bem pois seríamos muito mais pobres entao. Beijinho

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    1. Temo que um excesso de manipulação da imagem e de uso e abuso da mesma, venha a tirar-lhe poder, a banalizá-la. Imagens violentas passam a toda a hora, de tal maneira que as pessoas já se habituaram a comer placidamente ao "sabor" da maior barbárie, sem reagir; porém, quando lhes passa pela frente uma imagem vulgar, banal, interessam-se por saber o que é e quem é...

      Um beijinho, GM.

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  2. Talvez as imagens que vemos estejam sempre voltadas para dentro...

    Um beijinho, querida cavaleira de todos os dias :)

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    1. "À sombra do cavalo, o ócio retempera-se.
      O prazer de olhar a liberdade do campo
      onde cada árvore e cada sombra dizem
      o sossego de estar à sombra do cavalo.

      O sossego do sol, a terra igual à terra,
      e toda a luz firmando os volumes e as cores.
      Tudo ressalta em força,
      em pureza de estar em paz sob o cavalo.

      À sombra do cavalo, o ócio aprende a ser
      aquilo mesmo que é, um estar feito de luz,
      uma razão de ser sem se saber mais nada
      do que a razão das pedras, do que a visão das árvores.
      A sombra do cavalo engloba tudo o mais."

      António Ramos Rosa

      Um beijinho, querida amazona das palavras :)

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