Atalhos de Campo


11.6.16

no meio das papoilas # repost 2

O cão desaparece na seara; quando o chamo a cauda abana no alto das espigas, levo a máquina fotográfica na mão direita. Passo por um cardo de flor cor-de-rosa(os pintassilgos gostam de cardos), os meus pés caminham sobre os sulcos que o tractor deixou quando semeou a aveia, não consigo ver o chão. Os pássaros desenham as margens do paraíso, cantam para lá do muro caiado pelo ucraniano que chegava de bicicleta mas tinha uma carrinha Mercedes para os Domingos. Do caniçal na periferia da ribeira ouve-se o canto dos rouxinóis, há uma brisa rasteira que me sussurra pelos joelhos, vou devagar, reparando nas papoilas, são tantas este ano, enormes e sonolentas, deixando-se levar pelo vento. Seguro na máquina com a mão esquerda, a do braço operado há cinco dias que range e se defende, mas não há alternativa, eu sempre pus a mão esquerda a trabalhar. Procuro o âmago das papoilas, espero até que passam sete brisas leves por mim, cantam os rouxinóis, zunem insectos, na apneia da pausa disparo. É Domingo, dezanove de Abril de 2015, quantas papoilas mais viverei?





























Publicado em 21/4/2015

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