Atalhos de Campo


9.6.16

Na Feira, com Agustina

Releio, sobre a Feira do Livro, um dos seus escritos. Diz Agustina, a certa altura: 

Paira um bom presságio que está às vezes onde menos se espera. Saramago, mais sorridente do que é costume, Lobo Antunes aparece e desaparece. Eu, com os meus pés tenros como espargos, sento-me na cadeira que há no Pavilhão e dizem-me, de vez em quando, que a guerra foi declarada entre editores e livreiros. Napoleão tinha razão, e a guerra é o estado natural do homem. Venho verificar isso no Parque Eduardo VII, que é um lugar como outro qualquer para avaliar o mundo e os seus problemas. Um vento carinhoso protege-nos de tudo como se fosse a bênção dos escritores que nos olham dos seus placards mais ou menos esvaídos em tinta simpática. 

Vejo-lhe o rosto sombreado pelas flores de jacarandá, os pés serenados, protegidos como espargos brancos, bem embalados em frascos transparentes colocados à sombra, esperando placidamente. Os olhos argutos saltitando divertidos entre Saramago e Lobo Antunes. O pensamento, esse, vagueando irónico a fugir-lhe para longe, para um lugar na imaginação, onde se estivesse melhor.     

4 comentários:

  1. É que é tal e qual. A feira das vaidades, a civilização do espectáculo, o negocio intrincado dos autores, dos editores...etc.

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    1. Uma guerra de bastidores empacotada com um sorriso a preço módico; mesmo assim o passeio por entre os livros faz-me esquecer disso. Gosto de livros(e de alguns autores).

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  2. Sinto-me satisfeita por essas guerras de e entre escritores e editores me passarem ao lado. Detestaria conhecer-lhes os sucos. Amo demais os escritores em geral, e alguns em particular. Quero continuar a endeusá-los que isso (a mim) não faz mal nenhum, só bem.
    Quanto às editoras, há-as maravilhosas (Relógio d'Água, por exemplo) e há as que soam a intrujice e cuja existência decidi ignorar (Chiado Editora, por exemplo).
    E deste post gostei tanto.
    :-)

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    1. É tão bom quando estamos do lado de cá. Por vezes prefiro não aprofundar certas coisas, manter o estado de graça, a ilusão. Tens razão, os nossos deuses não nos podem fazem mal nenhum.
      Quanto a essas editoras, pois... estão as duas nos antípodas uma da outra... acho que fizeste bem em ignorar a segunda, eu pelo menos nunca encontrei lá nada de jeito, dos poucos livros que folheei, antes de entrar para o cinema.

      E eu que gostei tanto deste teu comentário, Susana. :)

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