Atalhos de Campo


7.6.16

metade homem metade mulher

Adeus, Camille, volta para o teu convento, e quando te contarem essas histórias horrendas que te envenenaram, responde o que te vou dizer: Todos os homens são mentirosos, inconstantes, falsos, tagarelas, hipócritas, orgulhosos e cobardes, desprezíveis e sensuais; todas as mulheres são pérfidas, ardilosas, vaidosas, curiosas e depravadas, o mundo não passa de um esgoto sem fundo onde as focas mais informes rastejam e se contorcem sobre montanhas de lodo, mas há no mundo uma coisa santa e sublime, a união de dois desses seres tão imperfeitos e tão medonhos. Somos muitas vezes traídos no amor, muitas vezes magoados e muitas vezes infelizes; mas amamos e, quando chegamos à beira da cova, voltamo-nos para olhar para trás, e pensamos: Sofri muitas vezes, enganei-me algumas vezes; mas amei. Fui eu que vivi, e não um ser artificial criado pelo meu orgulho e pelo meu tédio.

Alfred  Musset/ Não se brinca com o amor

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