Atalhos de Campo


13.6.16

mea-culpa

o século XXI poderá bem vir a ser reconhecidamente o século 
da escrita confessional, e em parte devido aos blogues.

6 comentários:

  1. Creio nas consequências, difiro nas causas -- acredito que os blogs são herdeiros de uma tradição que os precede: Cioran, Virginia Wolf, Samuel Butler, Bioy Casares -- para dar um espectro lato no tempo e espaço. Agora, retrospectivamente, os blogs validam o trabalho intimista deles -- que salta até para a frente do restante, em termos de interesse. E de fascínio.

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    1. Sem dúvida, sempre se escreveram diários, alguns deles longos de uma vida, secretos, e muitas vezes só com edições póstumas. O interesse pela escrita confessional (e a oferta), mesmo que não seja em forma de diário, aumentou muito nestes últimos anos, em minha opinião. E isto é capaz de se dever também a um certo esgotamento do romance, enquanto ficção. Inventar personagens e torná-las coerentes é difícil e já está consumado há muitos séculos. O mundo magoa, e talvez seja aqui que tudo começa. Porquê inventar alguém quando eu sou o meu próprio personagem e posso levá-lo por diante, não consigo que ninguém me escute, mas posso e preciso de escrever sobre mim? Não será esse o encanto de Ferrante nos últimos vinte anos e o segredo do seu sucesso? Terá um blogue? Entre os blogues há milhares de diários que nunca veriam a luz do dia se não houvesse internet, cada vez mais procurados, mais lidos e comentados, alguns deles belíssimos trabalhos, bem estruturados, bem escritos, sérios. Personalidades diversas que podem, ainda por cima, entrar em permanente diálogo. Um mundo, ainda no início.

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  2. concordo, Teresa.
    ainda não consegui descobrir se isso é bom ou mau...

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    1. Talvez seja cedo para avaliar todas as consequências disso. Valorizo o que tem de bom, afasto-me do que me parece nefasto. Pode vir a ser perigoso, pode ajudar a combater a solidão, pode ser um acto de coragem e uma lição de humanidade, pode ser mal aproveitado. O futuro o dirá.

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  3. Eu escrevo nos bastidores e na sombra da minha vida. Sempre o fiz desde que me conheço. É a minha forma de celebrar a vida. Há pouco tempo, descobri, com o blogue, que o que escrevo pode tocar outras pessoas. Foi uma surpresa para mim e estou a ser absolutamente sincera. Nunca imaginei que o que escrevia pudesse interessar a alguém. Para mim, escrever é uma decantação, um exercício (não da escrita, porque continuo a achar que não escrevo bem), mas do olhar. O blogue já teve várias consequências para mim. Já tomei muitas decisões desde que iniciei o blogue. E já conheci muitas pessoas especiais, como a autora deste bonito blogue que é um dos meus preferidos. A escrita relacional, como é o caso da dos blogues, é como desfazer a bainha de um vestido. A partir daí, tudo pode acontecer. Ou a bainha sobe acima dos joelhos ou desce…

    Um beijinho, querida Teresa :)

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    1. Suponho que não gostaria de me encontrar de mini-saia pela minha própria mão :) Mas gosto de saias compridas, elegantes e versáteis (que até possam parecer erroneamente curtas)- na verdade eu gosto mesmo é de vestidos, mas só uso calças, durante a maior parte do tempo. Também conheci pessoas especiais, que acham que não escrevem bem, mas escrevem, como demonstra o interesse que a sua escrita suscita. Para terminar, gostaria de poder aprofundar o que sinto através da escrita mas não só, porque acho que escrever, fotografar, pintar, são testemunhos de vida, e podem vir a tornar-se num legado.

      Um beijinho, querida Miss Write Right :)

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