Atalhos de Campo


24.6.16

fragaria

digito-te que é como quem diz toco-te
levo os meus dedos às maçãs do teu rosto morangueiro
a luz da tua pele acusa o toque
onde acordam teus olhos negros como tinta
incrustados a escrever no corpo inteiro.
ao centro do sol posto na planície 
tuas pétalas como velas brancas ardem cal
e navegam sobre brilhos vários no azul violento
dessas casas onde se guarda o cereal.
escarlates teus botões soltam sedas leves 
são beijos que devolvem aves ao desejo aberto
fragrantes são as asas que voam em leitos breves
quando toca na curva do lábio um peito incerto.
é tua a essência trazida pelas ondas do vento  
ao sabor amarrado no cais da boca da partida
teus são os trilhos de espuma que sugam turbilhões a tempo
para a outra garganta que avança já desfalecida.
das fragas regressam ensanguentadas águas
entre as bocas de naufrágios fragmentadas
e dois morangos esperam ainda como espadas.

6 comentários:

  1. ó Teresa, e o brexit? não falas do brexit?

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  2. podia viver de morangos e tremoços... :) e ameijoas de vez em quando.

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    1. este ano temos muitos... todos os dias há uma taça enorme de morangos;
      mas as ameijoas ainda não deram tremoços :)

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