Atalhos de Campo


12.6.16

a contar crânios como luas

Por causa da lua em Quarto Crescente, a aparecer tão nítida e densa, tão plácida e branca como um enorme crânio de brilho argênteo acabado de sair do revelador, destacado contra a película negra do céu, lembrei-me que durante muitos anos, ainda na câmara escura, ao mudar a película de Rx para o banho fixador, os pulmões já enevoados pela atmosfera tóxica, passava-a a pingar pela luz vermelha colocada acima, incapaz de não dar ali mesmo a primeira vista de olhos. E contava, um, dois, três... crânios, pequenos, nítidos pelos sais de prata, argênteos como pequenas luas em Quarto Crescente, ainda mal equilibradas nos Atlas dos pescoços curvos que, como cavalos-marinhos, se moviam em alegre mistura. Depois aparecia com aquele céu de muitas luas na mão, montado numa esquadria metálica, já seco e pronto para a notícia que superava as expectativas: são seis. E isso bem podia acontecer ao Domingo. 

2 comentários:

  1. que falta me fazem já as tuas palavras...

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    1. ... sete, oito, pronto, desculpa, octopus, agora já estão todas. :)

      Piovra, deixaste-me sem palavras...

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