Atalhos de Campo


23.5.16

tal e qual uma omelete

primeiro um ajudante de cozinha, com o auxílio de uma gadanha, corta e reserva, ao sol;
dois ou três dias depois volta o mesmo ajudante munido de um enrolador, vira tudo com arte para deixar o maranho pronto, a aquecer em lume brando;
mais dois ou três dias em repouso e aparece finalmente o chef num grande tractor (com cabine climatizada e a ouvir música pop), arrastando a terceira alfaia, que aspira, inspira, enrola de novo, e, cheia de ares, compacta e divide a mistura em apetitosas porções que vai depositando harmoniosamente sobre a travessa da paisagem. 

Lembro-me de Anthony Bourdain (numa entrevista que deu há alguns anos) dizer mais ou menos isto: não há nada que encante tanto uma mulher como um homem que lhe saiba apresentar uma simples omelete bem confeccionada ao pequeno almoço, enfeitada com um pequeno pormenor... 



6 comentários:

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    1. O inconfundível cheiro a verde perfumado dos campos, acabados de gadanhar... aqui entra pela casa e pelos olhos dentro.

      Também aí chegou...

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  2. É um processo bonito.
    E tem de se recolher sem que se molhe, verdade?
    :-) um beijinho, querida Teresa.

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    1. Chuva por cima de qualquer destes procedimentos é uma calamidade. Por isso os fardos já estão neste momento a caminho do armazém, senão lá se iam as "omeletes"... :)

      Um beijinho, querida Susana.

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  3. Fica tão bonito e estético o campo, quando os paralelipípedos bem aparados repousam ainda sobre o solo cortado à escovinha...Molhados, poderão ser fatais para o gado.:)

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    1. É verdade, gostava de os ver assim alinhados, a aguardar sobre o restolho, mas a ameaça de chuva fê-los debandar com rapidez, rumo ao armazém: )

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