Atalhos de Campo


11.5.16

Pavão sem troféus de caça*(à maneira de Jan Weenix)

























J. Weenix 1708(pormenor); Museu Calouste Gulbenkian










































































































































16 comentários:

  1. Soberbo. E ele sabe. Aquela pose não engana.
    Boa tarde, Teresa.

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    1. Está lindíssimo e passa o dia inteiro a cantar ao despique com o outro... infelizmente o canto não é tão bonito como as penas.
      Boa tarde, Mia.

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  2. Este animal é de facto fascinante. Tem-lo no teu jardim?
    Imagino que nunca te cansas de olha-lo. É lindo :)

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    1. Ele anda por onde quer, aliás todos os pavões. Geralmente está sozinho, e tanto pode estar entre as flores do jardim como empoleirado na nora, na horta. Dorme no alto de um eucalipto gigante. Anteontem, por exemplo, estava no telhado de uma das casas, literalmente a saudar a chuva; depois, numa aberta, limpou criteriosamente as penas, uma a uma. Tenho várias fotografias dele tiradas da janela de casa; fiz-lhe uma reportagem, um dia destes partilho, (não me canso de o observar, fotografando ou não). Também acho que é lindo. :)
      Boa dia de chuva para ti, GM.

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  3. Sim, é um exemplar de suster a respiração. No outro dia, a caminho das andorinhas, detive-me no post em que convivem mútuamente, o girassol e o pavão 1. A luz evidenciava os verdes azulados e os cianos, como pinceladas sobrepostas, num porte que realizo, ser pouco comum num pavão. Aqui a sensação repete-se mais do que nunca, com o pavão no auge da sua regeneração primaveril. Os padrões supõem-se completos.
    O paralelo com o pormenor do óleo do séc. XVIII, é muito feliz. A fotografia revela o animal, a arte a emoção, transportando-nos ao limite do delírio. O pescoço ondulante foi intencionalmente acentuado, bem como o alongamento do seu corpo longilíneo, sob a luz lunar que assiste aos sonhos. Já não é só um pavão, é um personagem das fábulas de La Fontaine...

    Até a vegetação se curva e encurva, prolongando-lhe a cauda.

    Sonhos à La Fontaine
    Um grande beijinho, tu mereces!:)

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    1. O que te posso dizer, depois do que escreveste, é que nesse quadro maravilhoso de Jan Weenix, à direita, maravilhosamente pintado, está um cisne morto, a cabeça pendente, no auge da beleza também, lívido, à luz triunfante do luar. Haverá alguma fábula do pavão e do cisne? Desta vez triunfou o pavão, mas de outras o pavão também está morto, entre os troféus de caça.

      A minha homenagem à vida.

      Um grande beijinho, Madalena.
      Obrigada pelo teu delicioso comentário. :)

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  4. Querida Teresa Borges do Canto,
    As fotografias estão excelentes, como sempre. Mas as suas palavras... ah, as palavras "ele anda por onde quer, aliás todos os pavões"... Sempre as palavras me seduziram mais do que tudo.
    Bom dia,
    Outro Ente.

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    1. Entendo-o, Outro Ente, pavão que se preze gosta de liberdade, e é este o caso. De outro modo nunca seria tão belo, ou eu nunca assim o acharia.
      Bom dia para si.

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  5. Tenho medo de pavões, acreditas? Uma vez no Zoo de Lisboa, houve um que se soltou e desatou a correr atrás de mim. Caramba, pernas para que te quero!!

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    1. Que estranho, Uva, será que lhe passou pela cabeça que eras mesmo uma uva? :)

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  6. Sim, claro. Isso nós sabemos. É uma mortandade, esta temática da natureza-morta associada à caça, tão trabalhada durante o séc. XVII e XVIII. Mas ao isolares, ou elegeres um determinado pormenor, num certo contexto, acabas por soltá-lo. A leitura passa a ser muito mais livre. Foi a isso que eu aludi.

    "...créer vigoreusement le monde qu'on veut voir advenir, pour avoir sous les yeux ce qui donne le plus grand bonheur...et laisser l'autre, le "vraie", à ceux qui ne se connaissent pas encore".

    Henri Peyre

    Beauté:)

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    1. "pois que o belo apenas é o começo do terrível..."

      roubado a Rilke

      Bête :)

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  7. nos jardins do palácio de cristal havia muitos, no porto, pendurados nas árvores, guincham em vez de cantar...
    belas fotos :)

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    1. tens razão Manel, canto, em relação aos pavões, é um eufemismo...

      Obrigada :)

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