Atalhos de Campo


22.5.16

O ninho

























Escolhi vinte rosas brancas e vermelhas com o pé curto, cortei-as e trouxe-as do jardim com cuidado, dentro de um cesto. Dispu-las aleatoriamente numa taça com água fresca. Mas faltava qualquer coisa importante para que ficasse completo, qualquer coisa que simbolizasse esperança, boa hora, alvura, vida. Lembrei-me da pomba em faiança branca. Coloquei-a ao centro e voltei a pôr as rosas em volta. Reparei que tinha feito, sem querer, um berço perfumado de rosas e de paz, de pureza e de amor, e que durante todo o dia pensara na criança que está quase, quase a nascer. Só podia ser para ela. E para a mãe.

8 comentários:

  1. "Com a vara calculei a distância entre os dias
    A vara, pensei, vai florir
    Posso incliná-la para uma criança a colher"

    Daniel Faria, "Das inúmeras águas"

    Só mesmo tu, querida Teresa, para colher rosas e tecer um ninho de amor perfumado de esperança. Essa criança vai encher-vos os corações com muitos anos bons. E é tão bonito ver este teu gesto repleto de significado, como se a criança já tivesse nascido antes de chegar.

    Um beijinho, Teresa bonita :)

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    1. E nasceu, ontem, durante a publicação do post.
      Há coincidências, mas há uma coisa também, em que acredito, o sangue tem voz e ontem foi-me contando uma história ao longo do dia. "A vara" de Daniel Faria podia ser a vara de um vedor, de encontrar o momento na criança e a criança no momento. E encontrou ambas. É lindíssimo este poema.

      Obrigada, querida Miss Smile :)
      Um beijinho

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    2. Que bom, uma flor de maio para alegrar a primavera :)
      Muitos parabéns, querida Teresa, e felicidades para toda a família, que ficou mais rica

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    3. Uma flor de Maio como tu, querida Miss Smile.
      Muito obrigada.

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  2. Que a felicidade a cubra como um manto mágico e benfazejo!

    Parabéns e um beijo repenicado :)

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    1. Que manto bonito esse que aqui lhe deixas, Maria. :)

      Muito obrigada, com beijo sonoro, desses pois!

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