Atalhos de Campo


25.5.16

O celeiro

O tractor continua o périplo entre a última cerca e o armazém, anunciando a passagem num rouquejar de esforço, com dois enormes fardos erguidos de cada vez, suportados pelos braços da pá. Sempre que passa pelo canil, os cães ladram, nervosos. As voltas são curtas e o caminho vai ficando sulcado pelos rodados sob o peso da aveia compactada; a volta do regresso é ligeira, o tractor segue veloz ao longo da sebe. Ao entrar na cerca, o tractorista escolhe o fardo melhor colocado para a manobra, apanha-o, depois dirige-se ao segundo fardo, coloca o primeiro sobre ele, recua, volta para apanhar os dois de uma vez, levanta a pá paralelamente ao caminho e segue, equilibrando o peso até ao armazém. Os fardos vão ocupando todo o espaço, do chão ao tecto, encaixados como tijolos de uma muralha de feno. É um ano de abundância, ouço dizer, enquanto reparo nos terrenos que foram ficando rapados em volta da casa, antecipando o pousio desértico do Verão. Há apenas um curto arco de silêncio entre as duas viagens. A partir de agora já pode chover.



4 comentários:

  1. o arco louro da colheita possível.
    As rosas alizarinas parecem esculpidas em folha de ouro. Surpreendem...:)

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