Atalhos de Campo


23.5.16

ninhos













































Foi na mesma Primavera, depois de vários dias de vento. Estavam ambos caídos no chão. Obras de arte e arquitectura. Palhas grosseiras como vigas a fazer a sustentação, enroladas e entrelaçadas, tectrizes a debruar a abertura, o interior revestido da mais suave penugem, quente e macia, a manter o centro sempre cálido, isolante, silencioso, na penumbra. Introduzo a mão fechada em concha no interior do maior, um ninho de pardal, suponho, e sinto-a a entrar numa luva, ou melhor, num regalo que me serve como uma luva. Um deles, de pintassilgo ou de um pássaro ainda mais pequeno, é uma miniatura construída com primorosa perfeição (de fundo tão sólido como vários assentos de cadeira de palhinha sobrepostos), parece ter sido rigorosamente adaptado ao espaço entre dois pequenos ramos. Estão limpos, sem vestígios de ocupação, sem fezes nem restos de ovos. Guardo-os como relíquias.




4 comentários:

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    1. tenho-os sobre as prateleiras do louceiro do alpendre, no meio de candeeiros de petróleo e livros de cozinha...

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  2. Assim é. E eles concebem essas obras com uma rapidez estonteante. Vão e vêm com o material, vão e vêm, vão e vêm. Já me aconteceu, poder presenciar.:)

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    1. Com uma determinação incrível, enfrentando todas as contrariedades, refazendo de seguida se corre alguma coisa mal.
      Um exemplo, sem dúvida.

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