Atalhos de Campo


4.5.16

A lua não aparece para jantar

À hora a que as andorinhas se deitam 
percebo que a casa está mergulhada no lago.
Os peixes que fugiram dos teus olhos
nadam agora entre as janelas abertas da sala e entram 
em apneia na linha que separa a água dos meus olhos, 
no sítio exacto em que o cata-vento fixou o Norte. 
Pequenos sismos de natureza aquática com epicentro
na barbatana caudal, fazem estremecer toda a casa
que se achata e agiganta e ondula e estica
o que parece não interferir com os livros de poesia
que permanecem alinhados na estante.
O primeiro nenúfar branco esconde-se do poente
quando a primeira rosa de Maio morre numa jarra
e a lua nova não aparece para jantar.    

4 comentários:

  1. A do Canto também tem canto e encanta :D gostei, pra lá de tanto.

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    1. Muito obrigada, Luís Vaz de Mau-Tempo, adoro cantos. :)

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  2. A lua não aparece para jantar mas decerto se encontra atrás de uma nuvem a espreitar-te :)

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