Atalhos de Campo


8.4.16

os rouxinóis

Foi ontem o primeiro dia da lua nova. Quando saí com o cão a noite estava escura como breu, e uma brisa fria arrepiou-me o rosto. A obscuridade permitia que um polvilhado luminoso aparecesse a preencher o espaço entre as estrelas maiores, dando visibilidade a uma infinidade de pequenas estrelas. Vindo da sombra negra dos caniçais escutei um trinado intenso e melodioso. Os rouxinóis tinham voltado. Dizem que cantam sobretudo de noite porque são tímidos, mas também pode ser que assim seja para que a sua voz se distinga entre todas as outras e sobressaia no silêncio, com o único fito de nos encantar. E ali fiquei, à escuta, como única espectadora chegada a um teatro enorme onde um inesperado solista ensaiava o seu canto, de pé, sozinha na coxia desse imenso tecto a que se chama céu. 

2 comentários:

  1. Tudo cumpre a sua função na natureza, Teresa, que cantem os rouxinóis para nos encantar!

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    1. Há três anos ouvi pela primeira vez. Não há palavras. A noite de breu e um rouxinol a cantar longamente, ao frio, com se fosse de manhã. E é assim durante toda a Primavera. Morrerão a cantar? Dormem de dia? De que se alimentam então? Tenho que estudar melhor a vida dos rouxinóis. :)

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