Atalhos de Campo


5.4.16

Posted by Marguerite Duras



Marguerite Duras (4/4/1914 * 3/3/1996)

2 comentários:

  1. Uma maneira muito hábil, muito subtil de se falar sobre o amor. Todo o amor já foi um dia assim, de uma forma única, exclusiva, inigualável, tocando o Olimpo, o mundo dos deuses, como se de repente o mundo se transfigurasse. Levita-se. Duras exprime-o magistralmente. Ela passa todo o tempo a falar da mesma e de uma só coisa, do amor, do prelúdio, do encantamento, mas sem nunca precisar muito. Nunca chegamos a saber se houve consumação ou não. Fica em aberto. Ela continua sempre, sempre no seu ritmo cadenciado. É muito bonito. É um hino ao amor, a todo e a qualquer um que já se tenha vivido ou perdido, não importa. Alude-se ao prelúdio, ao rosto e rasto daquele prelúdio, forte, muito para além de tudo.

    Obrigada
    Beijinhos

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    Respostas
    1. (...)
      "Estou num amor entre viver e morrer. É através desta ausência do teu sentimento que reencontro a tua qualidade, essa, precisamente, de me agradares. Penso que apenas me interessa que a vida não te deixe, outra coisa não, o desenvolvimento da tua vida deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a morte mais próxima, mais admissível, sim desejável. É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.
      E tu não sabes."
      Marguerite Duras/ O homem atlântico

      Deixo-te aqui mais este maravilhoso texto de um livrinho mínimo, Textos Secretos.
      Acho que ela viveu repetidamente a primeira paixão, que nunca se esqueceu do rio Mekong, que atravessou sempre o mesmo rio.

      Um beijinho, Madalena

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