Atalhos de Campo


15.4.16

Passagem para noite (19)

















































A noite, o vácuo, o nevoeiro
aceso em minhas lucilentas cinzas.
O pássaro veloz que se despenha
nas águas, e um peixe abica
e nele estrebucha, de possesso,
arrebatado ainda e... - ó conquistas!
Maior avanço, ora supõe causas
inadmissíveis, conquanto exactíssimas
como o quadrilátero entreaberto
num círculo - acme da vida.
O voo segue e chega-se aos astros.
Ícaro cai, os mares ressuscitam-no.
30/6/77
Ruy Cinatti/Enigma


















































8 comentários:

  1. Respostas
    1. Só tive que correr para ir buscar a máquina fotográfica. Já ficava contente com a primeira fotografia, mas ele resolveu voar, eu nem queria acreditar, e depois de chegar ao solo abriu o leque das penas da cauda e exibiu-se assim... incrível! (não fosse um pavão).

      Obrigada, luisa. :)

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  2. Fabuloso! A terceira foto, então!!

    Boa noite, Teresa, e um beijo :)

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    1. Foi um momento único, Maria.
      Assisti à exibição na primeira plateia. Fui uma sortuda!

      Boa noite, e um beijo :)

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  3. Reserva-me um lugar, Teresa, nessa plateia. que espetáculo maravilhoso.

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    1. Ava, encosta-te a mim; aqui tens sempre lugar.

      Obrigada e um bom fim-de-semana.

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  4. Que belo teatro de sombras! Afinal, não foi um leão que caiu da lua em quarto crescente, mas um pavão, o pavão1!

    Como alguém disse, parece que está pintado. Que requinte...

    O pavão no parque morto
    Sobrevive a quem viveu.
    Abre a cauda, bruto e absorto,
    Sob o silêncio do céu.

    E a sua cauda espalhada
    É o indício resignado
    De que a vida não é nada
    Mas tem um leque mostrado.

    Fernando Pessoa

    Tem uma boa-noite em tons turquesa:)

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    1. O pavão 1, a contar vindo do céu, directamente para ti.

      Fernando Pessoa é sempre maravilhoso, quer abra o leque ou não, como o pavão. :)

      Um beijinho, querida Madalena.

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