Atalhos de Campo


28.4.16

lirismo

O que o lirismo ocidental exalta não é o prazer dos sentidos, 
nem a paz fecunda do casal. Não é o amor satisfeito mas 
sim a paixão do amor. E paixão significa sofrimento.

Denis de Rougemont

4 comentários:

  1. O amor romântico é um mito muito enraizado na nossa sociedade ocidental. O problema são as expectativas que o apaixonado projeta no outro. Talvez seja por isso que muitos apaixonados passam do "amor" ao "ódio", porque, na verdade, ninguém consegue satisfazer expectativas tão altas.

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    1. Fui pensando no teu comentário ao longo do dia. Suponho que no lirismo não haja lugar para o ódio, porque a paixão é sofrimento, sim, mas por idealização pura. O fim da paixão será mais desencanto do que ódio. Ódio para mim é outra coisa, é a perversão do amor.

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  2. Claro. O amor feliz não tem história.
    "Il n'est de roman que de l'amour mortel, c'est-à-dire de l'amour menacé et condamné par la vie même". Mas a paixão como um estado, a paixão proibida, inconfessável e irresolúvel, essa sim, foi sempre muito explorada, sendo objecto de múltiplas inspirações. A paixão foi sem dúvida, geradora das maiores obras-primas da humanidade. Na verdade, trata-se da paixão pela paixão, a de eros pagão em oposição ao amor de Ágape cristão.

    Em todo o caso, acho que todo o amor, qualquer que ele seja, também implica sofrimento.

    Na paixão tendemos a projectar no outro, algo que não existe. A realidade é sempre menos gloriosa. A paixão é mesmo assim, é um universo à parte. No entanto, há um resíduo verdadeiro, um determinado factor que definiu o forte vínculo como um "ferro", e que se poderá manter e até crescer, se for muito trabalhado. Como alguém disse, o amor tem muito mais a ver com a admiração do que com os defeitos.

    Um grande beijinho:)

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    1. Como dizia Pedro Paixão numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, "a felicidade não tem história"; "a paixão é sempre um bom enredo. No entanto parece ser impossível viver nesse estado acima da realidade durante muito tempo, e o desfecho é o amor ou o desencanto. "E viveram felizes para sempre", é sintomático de que a partir daqui não vale a pena continuar a contar a história, sob pena de enfastiar o leitor...

      Um beijinho, Madalena :)

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